É uma musica alta no fundo da alma esse seu cheiro. Aquele algo especial que desce junto com a nuvem de chuva pela encosta da montanha que insiste em não ser imóvel. É um ardor de frio inconsciente que paira sobre opalas e esmeraldas. É uma floresta negra e viva, ávida e incoerente. É um corpo.
Os copos que jorram em si as mesmas águas e sabores e derramam um cálido sabor de chuva no covil da inconseqüência. São umbrais de dor e sentimentos e capas de coragem e tesão. São mendigos de alma e amor, vampiros de sorrisos e rosas. São caixotes cheios de frutas na porta do mercadão, um japonês vendendo verduras alheio ao que morre sobre a calçada.
São olhos de serpente e de furacão, camadas por cima de um tempo que se perdeu, que correu atrás da sorte e encontrou o azar no banheiro usando meias soquete. É uma vida azul, sem sangue e sem ar, sem chance e nem amor. É um elo que liga nada a lugar algum e que imagina um desenho que desgasta como o sorriso da bela da tarde. É uma ponta de língua que arrepia a nuca e os princípios.
São flores arrumadas em espirais, coloridas e cheirosas. São partículas de pensamentos que flutuam como pólen para as mentes mais receptivas. São óvulos na espera do que os enxertem, do que os dominem, do que os fecundem. São partes de uma vida construída a cada ato, a cada capítulo. Vidas que se perdem na coletividade.
São céus e infernos, são pessoas e possibilidades. São almas e luzes, são caminhos e lugares. São pessoas e números, registros e lembranças. São costumes e tradições, são beijos e sopapos. São cobras e ratos, dramaturgos e atores, escritores e cantoras, desenhistas e artesãos. São todos parte de um mesmo céu, são todos raios de um mesmo sol. São todos morte de uma mesma escuridão, são todos meios para um mesmo fim...
Mas é música alta no fundo da alma esse teu cheiro, que me cobre de frio e medo, por onde passa seus olhos, por onde correm seus pensamentos, e onde caem as suas juras.




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